Designer usa matéria-prima brasileira em suas obras

O orgulho das suas raízes fez o designer Sergio J. Matos se apaixonar por tudo que a terra pode proporciona

Da Redação | Fotos: Divulgação | Adaptação web Caroline Svitras

O premiado banco Ianomâmi foi inspirado nas pinturas faciais indígenas.

O mato-grossense radicado na Paraíba Sergio J. Matos formou- se em Design Industrial pela Universidade Federal de Campina Grande. Passado um tempo da graduação, em meio a dificuldades, chegou a cogitar desistir da profissão. No entanto, em 2005, o jogo virou com um prêmio do Sebrae de Minas Gerais por seu banco Ianomâmi. Desde então, sua carreira ascendeu, tendo destaque por peças que valorizam o artesanato e os materiais da natureza, como fibras naturais, cordas e o algodão.

 

O pufe Carambola é trançado, de maneira artesanal, com corda de poliéster.

 

Mais do que reconhecimento, há algo intrínseco ao trabalho de Sergio: ele acredita que o design tem o poder de abrigar memória, laços afetivos e histórias. E, assim, seus móveis e acessórios despontam autênticos e com um bom toque de brasilidade.

 

A fruteira Corais de Acaú é uma peça inspirada no coral Chifre de Alce. Feita por artesãs do município Pitimbum, na Paraíba.

 

No entanto, um de seus grandes trunfos também é o poder de compartilhar as criações. Matos viaja por muitos lugares do Brasil e estabelece parcerias com artesãos para dividir seus conhecimentos com a sabedoria dos povos desses locais. A vantagem? Enriquecimento cultural, social e econômico – já que os participantes do processo ganham autoestima e passam por uma profunda transformação sem perder a identidade.

 

O Vaso de Corais Acaú, assim como as outras peças da coleção, fez parte do Projeto Raiz.

 

Nesses caminhos gratificantes, o profissional já passou por diversas comunidades, espalhadas principalmente pelo Nordeste e Norte. Na Amazônia, por exemplo, realizou um projeto edificador, o Brasil Original, que percorreu municípios como São Gabriel da Cachoeira, Barcelos, Benjamin Constant, Tefé e Manaus. A proposta era aproveitar materiais que a floresta oferece para fomentar o talento e a história desses lugares e pessoas e, com isso, gerar renda para as famílias indígenas. Mas mais do que isso: “Resgatar, também, o orgulho das raízes ancestrais presentes na cultura e exibidas na cor da pele e no som dos dialetos que resistem ao tempo. Homens e mulheres orgulhosos de suas origens culturais formatam, na fusão do design com o artesanato, objetos inspirados em recortes do entorno, elaborados sob o conjunto das histórias que transitam entre o real e imaginário”. Sob esse viés, Sergio tem tido ainda bons retornos internacionais: “É gratificante levar essas peças e ver os olhos de todos vibrarem pela nossa terra”, revela Sergio J. Matos. Recentemente, ele representou o Brasil – junto a outros designers de peso – na Semana de Design Nova York com o Projeto Raiz, um showroom paralelo feito para fortalecer o design brasileiro. Para conhecer mais o seu trabalho, basta acessar o site sergiojmatos.com.

 

Revista Casa e Cnstrução Ed. 137