O que levar em conta antes de alugar um imóvel

Testar equipamentos, fazer uma planilha com os itens a ser checados e registrar cada detalhezinho podem ser a chave para uma negociação tranquila e proveitosa!

Texto: Giulia Esposito | Fotos: Divulgação NOP Arquitetura e Shutterstock

As preocupações na hora de alugar um imóvel vão muito além do preço, da localização e do que é oferecido como adicional de lazer ou comodidade. Isso porque optar por um imóvel em condições ruins, mesmo que não aparentes, pode sair muito mais caro do que qualquer aluguel superfaturado. Por isso, reunimos dicas para evitar que os locatários (ou inquilinos) caiam numa enrascada, tendo prejuízos e dores de cabeça.

 

 

Vazamentos

Existem os considerados leves e os graves. O primeiro está relacionado aos metais, normalmente, antigos, como torneiras, registros, sifões e duchas. Por isso, todas as torneiras da casa devem ser testadas para constatar a inexistência de vazamentos e os sifões checados para garantir que não estão entupidos. Já os vazamentos graves afetam diretamente o consumo de água (que pode ser checado antes de alugar), danificando as pinturas, trazendo umidade e manchas às paredes, forros e móveis, irregularidades nos pisos, estufamentos nos rodapés e até infiltrações, gotejamentos ou poças. “Infelizmente, eles também podem estar escondidos dentro dos armários. Por isso, é fundamental abrir todas as portas dos armários, além de inspecionar tudo o que estiver encostado em paredes, nos pisos ou no forro”, alerta a arquiteta Luciana Tomás.

 

Outros itens hidráulicos

Ao testar cada uma das torneiras, o fluxo da água deve ser contínuo, a pressão aceitável e a água livre de qualquer coloração. O mesmo deve ser observado nos chuveiros e, se forem elétricos, vale checar se a ligação elétrica está bem executada, com a fiação devidamente isolada. “Pergunte ao proprietário onde fica a caixa d’água e os registros principais do imóvel. Verifique se estão abertos e se, de fato, fecham o fluxo de água”, orientam os profissionais do NOP Arquitetura. Luciana explica que, se a ideia é instalar máquinas de lavar roupa e louça, é necessário constatar a existência de ponto de tomada de água, energia e drenagem de água (esgoto) a uma distância máxima de 50 cm. O ponto de drenagem deve estar a uma altura do piso entre 60 e 90 cm. A parede deve conter um cano 3/4, por onde passará a água que alimenta a máquina, e um de, no mínimo, 40 mm para a saída da água.

No dia da vistoria, aproveite para levar um balde e enchê-lo de água para despejar nos ralos e, desta forma, checar se estão entupidos. Na ausência do balde, deixe a torneira mais próxima escorrer até ele.

 

Rede elétrica

Inicialmente, teste todos os interruptores da casa e verifique o quadro de energia, que deve estar energizado no dia da vistoria. O ideal é que cada um dos disjuntores esteja identificado com os nomes dos ambientes a que correspondem. “Isso para que, em casos de problemas ou emergências, você saiba qual equipamento é responsável por desligar o que. Vale, ainda, notar a conservação dos mesmos, se existe fiação exposta e o estado do barramento”, indicam os profissionais do NOP. “Em imóveis com equipamentos já instalados, teste os de maior consumo de energia, como microondas, chuveiros elétricos, lâmpadas e forno elétrico e ar-condicionado, preferencialmente depois de 15 ou 20 minutos e todos ao mesmo tempo”, ensina o designer de interiores Luiz Normand. Para as tomadas, a maneira mais fácil e rápida de testar cada uma delas é utilizando o carregador do celular, que é bivolt.

 

 

Portas, janelas e revestimentos

Teste a mobilidade de todas as maçanetas e chaves da casa e veja se trancam e destrancam corretamente e com facilidade. Verifique, inclusive, se estão em bom estado de conservação. Repare também se as portas e janelas fecham e abrem perfeitamente. Além de comodidade, o bom funcionamento desses itens vai garantir a segurança da casa e dos moradores. Em modelos de correr (tanto em portas como em janelas), observe se deslizam livremente e aproveite para reparar se não há nada quebrado ou rachado nas áreas envidraçadas e espelhadas.

Pisos e azulejos não podem ficar de fora da vistoria. Observe se há peças soltas ou que foram colocadas com pouca argamassa e se apresentam manchas ou rachaduras, defeitos que podem, inclusive, sinalizar problemas mais graves. “Rachaduras nas paredes, no piso e no teto merecem atenção, já que podem indicar comprometimento da estrutura. As grandes e espaçadas são as mais preocupantes”, alerta o designer Rafael Amancio Costa, da KC Arquitetura. Problemas como furos realizados para a instalação de armários, quadros, espelhos e outros aparatos, são vistos com mais facilidade quando o imóvel está vazio, mas vale conferir.

 

Lei do Inquilinato (n º 8.245)

Esta é a parte mais burocrática, mas é indispensável ler atentamente os artigos da lei que regulamentam os direitos e obrigações do locador e do locatário. O inciso IV do artigo 22, por exemplo, deixa clara a responsabilidade do proprietário em problemas relacionados à estrutura oculta (como rede elétrica e hidráulica), que podem passar despercebidos durante a vistoria. O arquiteto Jean de Just, mesmo assim, recomenda incluir uma cláusula no contrato de aluguel solicitando o prazo de pelo menos duas semanas para a verificação de que não há problemas de instalação no imóvel ou garantindo que os reparos de problemas ocultos ficarão por conta do proprietário. “Em apartamentos novos, o prazo mínimo de garantia da construtora para vícios e defeitos de construção é de cinco anos. Então, a própria construtora será responsabilizada pelos danos”, tranqüiliza Luciana.

 

Revista Casa & Construção Ed. 139